terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Quando

Quando eu me for, não quero tristeza, somente a alegria das boas lembranças...

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Hoje

Hoje a lua está cheia, as cores ao seu redor são ofuscadas por algumas nuvens a sua frente, a noite ainda está tranqüila e a mata que circunda a cidade continua imersa no silêncio.


Já são 22h00min, o silêncio da mata agora abraça a cidade, não é necessário sirene e nem outro tipo qualquer de toque de recolher, portas e janelas trancadas, ninguém nas ruas.

23h43min, uma neblina incomum para a região e época cobre a cidade, observo tudo em silêncio do alto da minha casa.

23h50min, meus membros estão doloridos, meus sentidos se aguçam, perco a consciência...

Não sei mais que horas são não sei como vim parar aqui...

Preciso me recompor, esgueirando-me pelas ruas escuras retorno para casa, estou sem as chaves...

Entro pelo telhado, vou para o banheiro, retiro o sangue que há em mim...

Seco meu corpo, trato dos ferimentos, deito-me sem saber o dia de amanhã, sem saber se haverá outra, ou se serei eu a próxima vitima.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Ainda estou aqui!

Aqui estou atormentado e atormentando, não tenho descanso e não deixo descansar, fui, sou e sempre serei essa alma vagando, não tive escolha, fiz o que fiz e terei a eternidade de muitas vidas que virão para que possa redimir meus atos.
Ontem vaguei pelas ruas escuras, “ninguém” me vê ou ouve, sou aquele som da noite em sua casa, aquele som que não tem explicação, sou aquela batida, sou aquele sussurro, sou da terceira ordem, sou o imperfeito.
Sua felicidade é o meu tormento, conservo em mim as lembranças dolorosas em vida, os fiz sofrer, e por isso sofro, não tenho descanso, ainda estou ligado a matéria, sou o batedor e o perturbador, sou da sexta classe.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

ÁGUAS FRIAS








Já passava das 23h30min da noite de quita-feira, e eu estava sentado em
um banco sob uma grande mangueira cuja sombra encobria minha atenção
sobre a brincadeira. Meninos e meninas a beira do cais saltavam para
dentro do grande Araguaia, as águas turbulentas não intimidavam
os que nela mergulhavam seus corpos. 

A pouco mais de cem metros do local de banho, um velho e abandonado
cemitério mostrava sua silhueta entre a luz da lua. Já havia ouvido relatos
dos moradores do local, sobre coisas estranhas que há anos vinham
ocorrendo, mas todas até o momento, insolúveis e sem explicação.
Quando um quarteto de meninos preparava-se para o próximo salto,
observei distante do cemitério que fazia costas para o rio, uma vaga luz
cinza movimentando-se vagarosamente sob as águas do Araguaia,
como se observando o movimento que ocorria ali perto.

Eis que os meninos um após ou outro saltam para dentro do rio, e como
num piscar de olhos a luz cinza se desloca até o ponto onde os meninos
saltaram. Um após outro até o um terceiro menino voltam ilesos das águas
subindo as escadas do cais para um próximo salto, foi quando se deram
conta de que um deles não havia retornado do salto, enquanto todos
voltavam suas atenções para o local do salto, desviei meu olhar para
um pouco mais alem, momento esse em que novamente avisto a luz cinza,
agora um pouco mais enegrecida e por mais que eu não ousasse crer no
que estava vendo, via um braço com os dedos entreabertos como num
pedido de socorro, sendo levado para luz da lua que iluminava o cemitério.
Enquanto a população se aglomerava tentando obter qualquer resquício de
informação, dois dos meninos que saltaram se afastam ficando entre
aglomerado de ribeirinhos eu, o que me possibilitou ouvir parte da conversa:
- Assim que saltei avistei algo estranho, uma luz se deslocando sob a água, como se estivesse vindo em nossa direção, e no mesmo instante senti meus pés chocando-se com o que me pareceu ser o pescoço do menino que saltara antes.
- Você o matou?
- Não sei ao certo, não tive culpa!
- Ninguém viu e somente nós sabemos deste fato.
Não notaram eles que estava eu a poucos metros ouvindo tudo o que eles comentavam. Fiquei atônito com o que ouvi.
Enquanto o tumulto aumentava chega o corpo de bombeiros para auxiliar na busca do corpo, busca essa que eu sabia que seria vã.
Semanas antes, em uma de minhas caminhadas pela cidade e sem saber o que ocorreria na semana seguinte, resolvi tomar outro rumo para a caminhada, segui em direção ao velho cemitério abandonado quase que tomando pelo mato e a areia que desce das dunas vagarosamente cemitério adentro.
Curioso por conhecer o bucólico local e saber quem e há quanto tempo jazia no mesmo, adentrei no cemitério, esgueirando-me entre o capim alto e seco do local. Frondoso e acolhedor, um enorme pequizeiro fazia o agrado da sombra aos que a seus pés jaziam, notei então a terra fofa e elevada próximo ao tumulo feito de tijolos de barro batido e que já se desfragmentavam juntando-se assim a terra do local.
Andei por mais alguns minutos observando os detalhes e o esquecimento total (Quem me dera poder virar pó, pois o pó não apodrece, o pó se mistura)...
Continua...